
Mais uma vez me olhei no espelho e não me encontrei. Tentei achar alguém dentro de mim que, pelo o menos, se aproximasse daquilo que eu acreditava ser. Mas nada foi possível, até que eu apagasse a luz e procurasse dentro de mim alguma coisa que eu me deixava ser. E, de novo, nada encontrei. Na ideia mirabolante de ser perfeita, de querer ser aquilo que agrada a todos, me perdi. Me perdi no caminho entre meu mundo até o mundo real. Nisso, fiquei presa no meu, tão dito, cinturão invisível. Tal cinturão que seleciona aquilo que deve ou não passar pro mundo real. Assim como funciona com a membrana plasmática das células, controle do que entra e do que sai.
Percebi que, aos poucos, construí minha própria destruição. Isolamento e retenção de sentimentos. Não me permito, é fato, de me envolver com quem quer que seja. Logo, trato mal, sou fria e não mostro qual seja o que sinto. Assim, me auto excluo. Me limito. E então eu peço para entender até onde quero chegar. Saber que tenho que sair, mas não querer,não conseguir.
Te pergunto, então, em que mundo estou?

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